O crescimento do diabetes no país e a busca por uma alimentação mais equilibrada mudaram o perfil de quem consome produtos sem adição de açúcar

O avanço de marcas que produzem doces sem açúcar não está ligado apenas ao aumento de diagnósticos de diabetes no Brasil. Ele também acompanha um movimento mais amplo: o de pessoas que, mesmo sem nenhuma restrição alimentar, passaram a buscar mais equilíbrio, bem-estar e qualidade de vida na hora de comer. Foi esse encontro entre necessidade e escolha que abriu espaço para o crescimento do setor.

O interesse por alimentação saudável, que deixou de ser nicho para se tornar tendência de consumo. O setor de alimentos saudáveis movimentou cerca de R$100 bilhões em 2020, com expectativa de crescer mais 27% até 2025, segundo dados do mercado. De acordo com a Euromonitor, o segmento avançou 33% nos últimos cinco anos, impulsionado por uma paof rcela cada vez maior de consumidores preocupados com bem-estar, prática de atividade física e qualidade de vida.

Além do mais, segundo o Atlas Global do Diabetes 2025, da Federação Internacional de Diabetes, o Brasil ocupa hoje a 6ª posição mundial em número de casos, com 16,6 milhões de pessoas convivendo com a doença, um crescimento de 5,7% em apenas quatro anos. A projeção é que esse número chegue a 21,5 milhões até 2030, e os custos associados à doença já ultrapassam US$45 bilhões por ano no país.

Essas duas frentes, valorização de hábitos mais saudáveis e o aumento dos casos de diabetes, acabaram se encontrando em um mesmo tipo de produto: o doce sem açúcar. E é justamente nesse cruzamento que empresas tradicionais do setor encontraram espaço para continuar seu crescimento.

É o caso da Diet House, fundada em 1990, no momento em que praticamente não existiam no mercado doces sem açúcar com sabor e textura comparáveis aos tradicionais. “Praticamente não existiam doces sem açúcar que fossem realmente gostosos. As poucas opções disponíveis tinham pouca variedade, textura ruim e um sabor muito diferente do doce tradicional”, relembra Marcelo Junqueira Franco, COO da Diet House, que hoje comanda a empresa ao lado da irmã e sócia Cristina Menezes, filhos dos fundadores da marca. A empresa nasceu depois que o pai dos dois foi diagnosticado com diabetes. “Foi aí que surgiu a ideia da Diet House: desenvolver doces sem açúcar que as pessoas tivessem vontade de comer, e não apenas porque precisavam.”

Com o tempo, o público da marca deixou de ser majoritariamente diabético. “Quando começamos, o consumidor de produtos diet era praticamente apenas o diabético. Hoje vemos um movimento muito maior de pessoas preocupadas com alimentação, bem-estar e qualidade de vida”, conta Cristina. “O mais interessante é perceber que hoje as pessoas compram nossos doces porque gostam deles, e não apenas porque têm alguma restrição alimentar.” Segundo ela, essa mudança mostra que o conceito de alimentação saudável deixou de ser uma necessidade para muitas pessoas e passou a ser uma escolha.

Esse amadurecimento do mercado também trouxe um novo desafio para quem atua no setor há mais tempo: manter o padrão de qualidade em meio à chegada de novas marcas. “Fazer um doce sem açúcar não significa apenas retirar o açúcar da receita. Existe muito conhecimento envolvido para manter sabor, textura, estabilidade e qualidade durante toda a vida útil do produto”, explica Marcelo, que soma mais de três décadas de experiência no segmento à frente da empresa. “Muitas empresas estão entrando agora porque perceberam o potencial desse mercado. Nós tivemos a oportunidade de crescer junto com ele.”

Com o crescimento contínuo do número de diabéticos no Brasil e o avanço da conscientização sobre alimentação, o setor tende a seguir se expandindo nos próximos anos, não mais restrito a um público específico, mas voltado a qualquer pessoa que busque unir prazer e cuidado à mesa.